Etnobotânica e o “cientista Empírico do campo”

A Etnobotânica é uma ciência que estuda a relação de utilidade das plantas para usufruto do homem. Tem como objectivo perceber a relação que existe entre as plantas e os povos. Ciência multidisciplinar, composta de diversos níveis da ciência, como as ciências sociais – botânica, ecologia, fitofarmacologia e a medicina; Ciências humanas – história, arqueologia, etnologia, sociologia e a linguística; e ainda os sectores da economia e comercio. Os estudos etnobotânicos contribuem como referência para estudos botânicos, sociais e Ecológicos.

Estuda as plantas que são utilizadas pelas populações. Na prática o etnobotânico, estuda os povos indígenas ou as populações rurais onde ainda subsiste um vasto saber e tradição do uso de plantas. Este conhecimento passa de geração em geração por via oral, conectados com as necessidades dos povos.

Hoje em dia com o êxodo rural  presente na sociedade portuguesa e a globalização da cultura e conhecimento transmitido pelos meios como comunicação como a televisão, rádio e internet, os conhecimentos populares tendem a desaparecer para sempre, perdendo a raiz outrora presente nas comunidades locais. O desinteresse e ignorância actual na relação homem – plantas – natureza, pode levar a uma perda significativa da biodiversidade, já que nós seres humanos preservamos e valorizamos o que conhecemos e criamos um elo de ligação e destruímos o que não nos dá “lucro” directo.  Aqui o etnobotânico ou “cientista empírico do campo” como lhe gosto de chamar, intervêm tentando impedir tal tragédia global.

O trabalho do Etnobotânico assenta na recolha de conhecimentos populares em termos da utilização das plantas e a sua descrição e tratamento de dados que é chamada de “Fase Alfa”. É um processo urgente, uma verdadeira luta contra o tempo, pois verifica-se uma quebra na passagem de conhecimento entre as gerações, as pessoas mais velhas detentoras desde conhecimento, como comuns mortais, falecem e com elas desaparece todo o seu conhecimento ou mesmo com a idade e as suas doenças consequentes esquecem o que lhes foi transmitido. Este “cientista empírico do campo”, tem um papel muito importante, de dar a conhecer e chamar à atenção das comunidades locais das necessidades de preservar as espécies, preservar a cultura fomentando o seu desenvolvimento.  Cabe então ao Etnobotânico a especial e urgente operação de salvamento folclórico.

A valorização dos conhecimentos populares, é para mim mais importante do que todo o trabalho de analise de dados e reconhecimento cientifico. A chamada “retribuição etnobotânica”, que pode ocorrer de vários modos, retribuindo às populações locais os conhecimentos que delas foram recolhidos. Esta retribuição pode acontecer por meio da divulgação (de modo a que seja facilmente acedida por um leque variado de pessoas) ou pela educação ambiental. É necessário também apoiar pequenas empresas de exploração e comercialização de plantas, fomentando a economia local e assim como pode contribuir como atractivo turístico.

 

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